Prevenção de conflitos: sua empresa sabe o que priorizar em 2026?
Por Bruna Figurelli
Este ano, prevenir conflitos deixou de ser apenas uma preocupação do jurídico e passou a fazer parte das decisões centrais das empresas. O impacto de uma disputa raramente se resume a honorários ou a uma eventual condenação. Ele aparece na paralisação de projetos, na ruptura de relações comerciais construídas ao longo do tempo e, cada vez mais, no desgaste da reputação em um mercado altamente conectado e sensível a crises.
Prevenir conflitos, nesse contexto, significa trazer o olhar jurídico para dentro do negócio, antecipar riscos e fazer escolhas mais conscientes desde a negociação e redação dos contratos até a definição de como eventuais divergências serão resolvidas.
Os principais vetores de conflitos para 2026
A atuação do Dourado & Cambraia em disputas permite observar alguns focos recorrentes de conflitos, além de uma projeção para o ano vigente.
Transição Normativa e Reforma Tributária: A implementação dos novos modelos de tributação (IVA) gerou uma zona de sombra em contratos de longo curso. Disputas sobre o gross-up de tributos e o reequilíbrio econômico-financeiro em concessões de infraestrutura são hoje o centro das atenções.
Responsabilidade algorítmica e IA: No setor financeiro e farmacêutico, o uso intensivo de IA para análise de risco e pesquisa clínica abriu frentes de litígio sobre viés algorítmico e proteção de propriedade intelectual, exigindo uma defesa técnica que domine o Direito e a tecnologia.
Litigância ESG e reputação: Observa-se um aumento crítico em disputas envolvendo o descumprimento de metas de descarbonização e “greenwashing”. O risco aqui não é apenas jurídico, mas o impacto no valuation da empresa em virtude da pressão de investidores institucionais.
Complexidade em M&A e infraestrutura: As operações de saída e os mecanismos de earn-out em setores sensíveis continuam gerando arbitragens, especialmente quando os instrumentos contratuais não previram com clareza a volatilidade dos custos de insumos e as novas exigências de sustentabilidade.
Contratos como ferramenta estratégica
O uso de modelos genéricos de contratos, sem adaptação ao contexto econômico e regulatório atual, tem se mostrado um convite ao litígio.
Cláusulas de força maior, revisão contratual por onerosidade excessiva e, especialmente, a definição do foro ou da arbitragem devem ser pensadas de acordo com a natureza da operação e do ativo envolvido. Em contratos estratégicos e que exigem confidencialidade, comuns nos setores farmacêutico e financeiro, a arbitragem tende a oferecer maior previsibilidade técnica e proteção das informações. Já em relações de maior escala, a estruturação de acordos baseada em dados e histórico decisório (jurisprudência) permite uma gestão mais eficiente do passivo jurídico.
Jurimetria e decisões mais previsíveis
Podemos dizer que a advocacia contenciosa em 2026 será orientada por dados. O acompanhamento sistemático da jurisprudência dos tribunais e das câmaras arbitrais permite identificar tendências reais de decisão e ajustar estratégias de forma preventiva.
Essa abordagem contribui para reduzir incertezas, orientar a redação de contratos e transformar o jurídico em um aliado direto da gestão de riscos e da saúde financeira das empresas, deixando de ser visto apenas como um centro de custos.
Em um ambiente marcado por maior exposição, rigor regulatório e disputas complexas, prevenir conflitos tornou-se uma estratégia essencial para a continuidade dos negócios. Integrar a atuação jurídica às decisões empresariais deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição básica para crescer com segurança e agilidade.
